Falta de Semicondutores por Escassez de Matéria Prima



Produção de semicondutores é afetada pela falta de matéria prima.

Nos últimos dois meses, os semicondutores tornaram-se subitamente notícia popular, à medida que várias montadoras levantaram preocupações sobre a escassez de suprimentos enquanto tentavam aumentar a produção novamente. Fabricantes de vários setores – como automotivo, de eletrodomésticos e eletrônicos em geral – estão agora buscando solucionar este problema, mesmo que se estime que pode demorar vários meses para que essa escassez diminua significativamente.

Motivos para a escassez

No final de 2020, os semicondutores ficaram repentinamente escassos. Chips de última geração alimentando os mais recentes smartphones, consoles de jogos e modems 5G, bem como modelos mais antigos que rodam carros e eletrodomésticos, dificilmente poderiam ser encontrados a qualquer preço. Estima-se que pelo menos 169 indústrias de tecnologia em todo o planeta enfrentaram interrupções como resultado da escassez, reduzindo potencialmente o PIB do setor neste primeiro semestre de 2021.



Tudo isso começou com um aumento relativamente pequeno na demanda do consumidor causado pela pandemia. Primeiro, os gastos do consumidor despencaram. Então, alguns meses depois, a demanda por todos os tipos de dispositivos com chips pesados ​​aumentou inesperadamente, à medida que as pessoas montavam escritórios domésticos ou procuravam diversões eletrônicas. As empresas que constroem esses dispositivos enviaram então uma onda de pedidos de semicondutores que ondulou a cadeia de suprimentos, que rapidamente sobrecarregou as poucas fundições de chips que fabricam praticamente todos os chips de computador do mundo. A escassez se seguiu.

Impacto da pandemia

O descontrole que afetou a cadeia de suprimentos em tecnologia, em especial de chips de computador, é a mesma que também leva à escassez desesperada por papel higiênico e bicicletas neste período de pandemia ocasionada pela Covid-19. As restrições causadas pela crise ocasionada pelo coronavírus apresentaram desafios para os fabricantes de semicondutores, junto com seus clientes, que encontraram bloqueios e problemas na cadeia de suprimentos. Mas no geral o setor teve outro ano forte, com as vendas globais de semicondutores subindo, conforme a forte demanda da indústria eletrônica compensou a queda no consumo das montadoras de veículos, por exemplo.

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Estimativas para o futuro

Mas não haverá solução rápida ainda à vista para esse problema no setor. A indústria de semicondutores tem trabalhado para aumentar a produção para atender ao salto acentuado na demanda, mas esse desequilíbrio entre oferta e demanda não pode ser remediado com o toque de um botão. A fabricação de semicondutores não é adequada para mudanças rápidas e grandes na demanda, uma vez que leva tempo para aumentar a produção de semicondutores. Fazer um semicondutor é um dos processos de fabricação mais complexos. Prazos de execução de até 26 semanas são a norma na indústria para produzir um chip acabado.

Raízes profundas que também geram a crise do setor

E as raízes subjacentes da escassez são mais profundas do que a Covid, com o mercado de wafers de 200 mm em particular já sendo apertado antes do surto do vírus. Eles são estruturais e provavelmente serão corrigidos apenas por meio de investimento de longo prazo e vontade política, até porque a cadeia de fabricação de semicondutores – desde matérias-primas como silício, gálio e germânio até o produto acabado – é global e permanecerá dependente por algum tempo na colaboração entre países.

Grupos da indústria e lobistas há muito lamentam a falta de investimento e inovação na fabricação de semicondutores fora da Ásia, com projetos de lei bipartidários sobre o assunto tendo lutado para ganhar impulso nos EUA nos últimos anos. Infelizmente, o Brasil não tem uma indústria forte nesse segmento, mas é possível que no futuro tenhamos empresas nacionais explorando este segmento, visto que cada vez mais o cenário mundial se depara com as implicações de querer eletrônicos cada vez mais sofisticados, sem a capacidade de fabricação para corresponder a esta tão grande demanda, que revela cada vez mais a importância e impacto da tecnologia no mundo, especialmente em tempos de crise mundial de saúde – que se demonstrou ser também de diversos setores, da economia à política, da educação aos cuidados com o meio-ambiente.

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Por Ana Beatriz Pinto

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